quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Máscara



Para parecer, 
E esconder
usamos uma máscara
somos uma máscara…
Que tapa as marcas do rosto
e desnuda os olhos,
Esconde a raíz do mal,
Ou a bondade da alma.
Vinda dos poros da pele
Deixa aberta a cicatriz
da essência,
A dívida da vida,
que escondemos...
Com a vida.
Quando o coração sangra
Sorrimos
A máscara veste-nos a
pele da sobrevivência
Mente com a nossa voz.
Quantas vezes o mal existe sem máscara,
simplesmente é,
Crú e aberto
E quem usa máscara aceita-o...
Porque deixaria o homem
fazer cair as suas máscaras
e com elas a mentira, o mal
numa miríade de cores dispersas
nas sombras dos seus nomes
moldadas nas tortuosas estórias
da História,
se julgamos que delas somos feitos
e elas nos representam.
Porque usamos máscaras,
cantamos e dançamos
cantos soprados,
danças sem expressão,
somos uma obra de arte,
de risos falsos,
enquanto lágrimas sulcam a pele,
somos anedotas de nós próprios,
rimo-nos dos outros,
levamo-nos a sério
e esquecemo-nos de…
rir até nos engasgarmos
de nós
e de ser
um ser sem máscara.
Tornámos os nossos sonhos,
esta única pele, que se confunde com
uma máscara.
Transformámos o sangue e a dor
mascarámos a nossa dignidade,
e, por orgulho e vaidade,
num fogo que consome,
deixamos de saber como…
queimar e
despir a máscara


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