O que vos interessa o que penso? Nada. Vim aqui falar de um livro. Leiam-me agora está bem?
Ou antes: Leiam! Devorem livros.
Esta é a metáfora que vos recomendo.
Ontem devorei um livro: "As mulheres do meu pai" de José Eduardo Agualusa. Devoradinho de ponta a ponta tal foi a fome instalada desde as primeiras páginas. E fez-me imaginar, vi o livro no filme que passou na minha cabeça, nos voos que fiz, nas lembranças e nos sonhos para onde me levou, às viagens que ontem me conduziu.
O assunto mulheres é tratado com uma rara beleza. De um homem que ama as mulheres. Não é mais um conto. É um conto formidável.Que se come devorando.
Inspirou-me a escrever mais um pequeno texto sobre a mulheres e a desejar de novo vir um dia, já crescida, a saber contar histórias assim.
Leiam este livro. Homens e mulheres
Ou antes devorem livros.
Uma arma de construção maciça. A bala que se alojar, a planta que semear não cederá a nenhuma intempérie.
Pego em mim, no que sou e viajo. Dentro de mim apanhando o comboio da minha imaginação, ou por esse mundo fora, que me convida a não ser, um ser quieto. Ou inspirando-me em Fernando Pessoa, "A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras"
domingo, 8 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
Viver com cheiro de perfume da alma
Quero viver com o cheiro de perfume da alma
Ajo como se cada acto fosse o meu último.
e cada acto exige conflito ou pensamento
determinado por uma causa que terá o seu efeito.
Por isso penso cada acto e enfrento o conflito
como se fossem o meu último
vinda da sombra
se a morte enfrentar quando a mão estender,
para o meu lado direito, ou esquerdo
que no meu mundo à parte
mesmo que não seja entendido
o meu acto ou pensamento
conscientes
decididos no anonimato da minha solidão
confrontado publicamente,
como se fosse o último
reflicta a expressão do melhor que sou
da minha loucura
e a essa já não lhe sobra tempo para mais nada
que buscar apenas o reflexo que da alma vem
deixando-a voar
libertando por entre os fios de cabelo
o seu perfume
quinta-feira, 5 de março de 2015
Amigos
Com histórias de dor e cor
no passado e no presente
estes são feitos os ossos e a pele
dos muitos amigos
que compõe a minha tribu.
Inteiros,
Inteiros,
possuem a riqueza das pessoas fortes:
Passaram por
histórias que os tornaram
vulneráveis,
frágeis, por vezes tristes e com medo,
lutadoras, solidárias, afectuosas e sempre
grandiosas
que caem e se erguem
que se procuram quando se perdem
mesmo quando nos tempos mais
oprimidos
(como os que hoje atravessamos)
a viver como
marionetas num teatro
com fundo falso,
de máscaras
pintadas que vestem a pintura original
os seus trapos e retalhos
transformam em vestes de coragem belas
e únicas
Acredito que a humanidade é feita
maioritariamente de gente como os meus amigos, por isso acredito e tenho
esperança. Quando falo/escrevo com um deles vejo sempre a luz que carregam e
como a sua entrega é uma luz que me inspira. Obrigada
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Retrato de uma viajante
De casa aberta,
“Sentada numa doca a descansar os
ossos, a ver o tempo passar”, deixando-me levar pela cor do mar, com os
pensamentos a voar…Não nunca mais serei a mesma e no entanto sou quem sempre
fui. Levo-me com as minhas origens, a minha história, a minha diversidade, quem
sou no final de todas as contas com os meus vários mundos para todos as casas onde
viajo, chego, fico, abraço, me sento à mesa, passeio pelas suas ruas e me
enlaço nessas gentes. De todos os mundos, com as suas histórias, a sua
diversidade, a sua cultura, no final de contas com os vários mundos dessas
gentes com quem me cruzo, trago-os para dentro de mim: na mesa do salão, com
talheres de prata, numa folha de árvore e as pontas dos dedos, sentada numa
almofada de areia, no meio de um campo onde despontam pequenas flores amarelas,
brancas, roxas, azuis pedindo com ternura: não te esqueças de mim!
Despedida
Querido governo,
Deixo-te a minha oração ao levantar o
pé quando subi para a manga de um avião na minha Portela, hoje porta de um país
devastado, sem alegria, sem carnaval, onde não quero estar, onde me vejo grega
para ser quem quero, onde até o amor é uma obrigação para pagar dívidas, onde
não quero pagar nem mais um tostão de juros ou dívida que não fiz ou pedi, nem
vos cobrir o bluff, na jogada de poker com que me têm usado:
-“Vou partir, naquela estrada onde um
dia cheguei a sorrir”: podes ficar com as auto-estradas, as scuts, os bancos
falidos, os submarinos, os centros comerciais, os empreendedores com punho, os
carros de alta cilindrada das facturas sem sorte, as motas do soares dos
pobrezinhos, os bifes da jonet, os corruptos, os partidos políticos, os
deputados, o espírito santo e o homem que em lugar das células tem um cavaco
que são embirrentos e parecidos contigo.
Quiçá com os lusos que já partiram,
podemos fundar um novo país, talvez nas Selvagens, com um acordo Selvagen com
interdição à vossa entrada.
Levo o fado, o cante, o queijo da
serra, os vinhos, o sol, a serra algarvia e o Alentejo!
Retrato de António Barbosa,
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Amor e viagens
Amor? Ah, só faz sentido se for como a paixão pelo Benfica: Intenso, dramático,apaixonado, vindo das vísceras. Dá vontade de ver, bater palmas, rir, gritar, discutir, honrar, de pedir a camisola. Nunca dura pouco, fica para sempre marcado na pele, no olhar, na insensatez. Sem explicações, razões ou questões. É porque sim!
Dá vontade de comer a qualquer hora, com ou sem razão. O árbitro.
E fazer todos os dias um enorme carnaval sem máscara.
Viagens e poesia
O sol torna-nos todos poetas.
Pé no chão, cabelos ao vento quente é um modo de vida tão brilhante quanto o sol. E hoje sexta feira 13, véspera do são valentino foi assim que acordei. O sol também me quis dar as boas vindas e saio a correr para os enormes jardins, a despertar com mil cores das flores que despontam e a pensar:
os narcisos, as tulipas, e as flores silvestres roxas,amarelas,brancas,azuis vão ser as minhas companheiras daqui para a frente num belo passeio.
Ahh e tal, que bom, o calor...Eis senão quando saio e me vejo envolvida num abraço. Era o meu inimigo vento do Norte a visitar-me. Uma corrente da Sibéria e ainda julguei que por engano tivesse morrido e caído no congelador. Claro está, fui enganada pela sexta feira 13 a minha namorada.
É todo um ar que um africano pé descalço não aguenta...os ossos quebraram-se em dor e senti-me um esquimó sem casacos pele de urso. Ia falecendo! Vim-me aquecer quase dentro da caldeira do aquecimento central e admirar o nascer da Primavera por entre os vidros. Não me voltas a enganar meu namorado sol. Mas espero pelo menos almoçar contigo amanhã e todos os dias por dentro das janelas, no quentinho. Fazes-me ser poeta meu sol no Norte ou no Sul.
Pé no chão, cabelos ao vento quente é um modo de vida tão brilhante quanto o sol. E hoje sexta feira 13, véspera do são valentino foi assim que acordei. O sol também me quis dar as boas vindas e saio a correr para os enormes jardins, a despertar com mil cores das flores que despontam e a pensar:
os narcisos, as tulipas, e as flores silvestres roxas,amarelas,brancas,azuis vão ser as minhas companheiras daqui para a frente num belo passeio.
Ahh e tal, que bom, o calor...Eis senão quando saio e me vejo envolvida num abraço. Era o meu inimigo vento do Norte a visitar-me. Uma corrente da Sibéria e ainda julguei que por engano tivesse morrido e caído no congelador. Claro está, fui enganada pela sexta feira 13 a minha namorada.
É todo um ar que um africano pé descalço não aguenta...os ossos quebraram-se em dor e senti-me um esquimó sem casacos pele de urso. Ia falecendo! Vim-me aquecer quase dentro da caldeira do aquecimento central e admirar o nascer da Primavera por entre os vidros. Não me voltas a enganar meu namorado sol. Mas espero pelo menos almoçar contigo amanhã e todos os dias por dentro das janelas, no quentinho. Fazes-me ser poeta meu sol no Norte ou no Sul.
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