O sol torna-nos todos poetas.
Pé no chão, cabelos ao vento quente é um modo de vida tão brilhante quanto o sol. E hoje sexta feira 13, véspera do são valentino foi assim que acordei. O sol também me quis dar as boas vindas e saio a correr para os enormes jardins, a despertar com mil cores das flores que despontam e a pensar:
os narcisos, as tulipas, e as flores silvestres roxas,amarelas,brancas,azuis vão ser as minhas companheiras daqui para a frente num belo passeio.
Ahh e tal, que bom, o calor...Eis senão quando saio e me vejo envolvida num abraço. Era o meu inimigo vento do Norte a visitar-me. Uma corrente da Sibéria e ainda julguei que por engano tivesse morrido e caído no congelador. Claro está, fui enganada pela sexta feira 13 a minha namorada.
É todo um ar que um africano pé descalço não aguenta...os ossos quebraram-se em dor e senti-me um esquimó sem casacos pele de urso. Ia falecendo! Vim-me aquecer quase dentro da caldeira do aquecimento central e admirar o nascer da Primavera por entre os vidros. Não me voltas a enganar meu namorado sol. Mas espero pelo menos almoçar contigo amanhã e todos os dias por dentro das janelas, no quentinho. Fazes-me ser poeta meu sol no Norte ou no Sul.
Pego em mim, no que sou e viajo. Dentro de mim apanhando o comboio da minha imaginação, ou por esse mundo fora, que me convida a não ser, um ser quieto. Ou inspirando-me em Fernando Pessoa, "A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras"
sábado, 14 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
De botas calçadas, mais uma viagem
Rompia vestido de vermelho intenso, o parto do sol pelo céu, quando os pés abandonaram os sapatos de Lisboa. Entristecia-me contente. Recomendei ao Comandante as palavras de um amigo quando de mim se despediu: "vai devagarinho". Assim, lentamente, poderei saborear as saudades do que deixo, do que levo.
Na bagagem Homero foi a Odisseia escolhida como companheira neste pacto de sangue que tenho com a vida. Dei-lhe licença para me conduzir. É o cordão que nos liga. Desta vez ela trouxe-me aos países baixos, conquistados ao mar por gente de elevada estatura e língua bárbara. É aqui que espero desabrochar junto com as tulipas quando romper a estação da renovação.
Um bilhete de ida que espero me traga muitos regressos à minha Ítaca. Ela que se torna neste momento o único monstro que engole os sonhos de quem nela se quer fazer homem. Por uma razão apenas conhecida dos Deuses.
Dela voo para acalentar o sonho vestido de esperança a gerar-se no ventre grávido da terra. Este é o Sebastianismo de um povo que há mil anos de nau, rodas,asas, ou botas consumidas pelo andar se faz grande, fora do ventre da sua terra mãe.
Eu sou uma dos seus filhos. Que da mãe se separa. Para ser como os outros filhos: viajante com os pés calçados de oiro, porque filhos ricos de férteis terras. E, em cada "off shore" vou guardar vários amores:o capital dos afectos nas tribos onde pertenço.
O meu coração é o passaporte onde registo os carimbos, os meus pés o cartão de embarque onde registo os destinos enquanto a minha alma faz o check in das experiências vividas e a minha escrita regista a inevitabilidade da partilha. Perguntaram-me: «não páras»? Sei de cor a resposta:
-Quando vier a glória de embarcar na última viagem com destino desconhecido levarei comigo um gps, um caderno de apontamentos, kilos ilimitados de bagagem afectiva, amores e vivências e as asas bem abertas.
E também botas gastas de andarem em viagem pela terra.
(Numa homenagem que presto a Vincent Willem van Gogh)
Posso dizer-vos que fui conquistada desde que aterrei. Ao nascer colocaram-me um padrão: agora vou a mais um descobrimento.
Na bagagem Homero foi a Odisseia escolhida como companheira neste pacto de sangue que tenho com a vida. Dei-lhe licença para me conduzir. É o cordão que nos liga. Desta vez ela trouxe-me aos países baixos, conquistados ao mar por gente de elevada estatura e língua bárbara. É aqui que espero desabrochar junto com as tulipas quando romper a estação da renovação.
Um bilhete de ida que espero me traga muitos regressos à minha Ítaca. Ela que se torna neste momento o único monstro que engole os sonhos de quem nela se quer fazer homem. Por uma razão apenas conhecida dos Deuses.
Dela voo para acalentar o sonho vestido de esperança a gerar-se no ventre grávido da terra. Este é o Sebastianismo de um povo que há mil anos de nau, rodas,asas, ou botas consumidas pelo andar se faz grande, fora do ventre da sua terra mãe.
Eu sou uma dos seus filhos. Que da mãe se separa. Para ser como os outros filhos: viajante com os pés calçados de oiro, porque filhos ricos de férteis terras. E, em cada "off shore" vou guardar vários amores:o capital dos afectos nas tribos onde pertenço.
O meu coração é o passaporte onde registo os carimbos, os meus pés o cartão de embarque onde registo os destinos enquanto a minha alma faz o check in das experiências vividas e a minha escrita regista a inevitabilidade da partilha. Perguntaram-me: «não páras»? Sei de cor a resposta:
-Quando vier a glória de embarcar na última viagem com destino desconhecido levarei comigo um gps, um caderno de apontamentos, kilos ilimitados de bagagem afectiva, amores e vivências e as asas bem abertas.
E também botas gastas de andarem em viagem pela terra.
(Numa homenagem que presto a Vincent Willem van Gogh)
Posso dizer-vos que fui conquistada desde que aterrei. Ao nascer colocaram-me um padrão: agora vou a mais um descobrimento.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Um problema de expressão
Esta é a Idade Média do século XXI.
Porque milhões são silenciados por milhões de razões obscurantistas que perturbam uma vida sem medo: a vida sem saúde,sem educação,sem justiça, sem pão, sem dignidade.
Escolho a poesia e a passagem à clandestinidade se preciso for
para combater fascismo, exclusão, silêncio e terror
Poesie-se a vida com desobediência!
São milhões as vozes com sonhos esmagados
Com vidas suspensas
Que silenciam a força mais criativa de que dispomos:
a vida dos sonhos.
No teu jardim plantam não árvores com luzes
Mas minas anti-pessoais cinzento-escuro
Muito escuro. Feitas de preconceitos.
São muitos
Dentro da zona da morte
Fora de qualquer conforto
A quem esmagam sonhos
A quem suspendem a vida
São muitas as vozes loucas que não calam
A natureza do espírito
Na loucura de tentar parar a loucura de homens loucos
os prósperos insatisfeitos, arrogantes e incapazes de humildade
Sem outros sonhos nem vidas
Cujo mérito vem da pobreza de ter apenas materiais riquezas
e condenam à morte
com bombas que chovem de todos os céus,
vidas com sonhos.
Contra o vento, levanta-te e voa!
Cartoon de Uderzo
Porque milhões são silenciados por milhões de razões obscurantistas que perturbam uma vida sem medo: a vida sem saúde,sem educação,sem justiça, sem pão, sem dignidade.
Escolho a poesia e a passagem à clandestinidade se preciso for
para combater fascismo, exclusão, silêncio e terror
Poesie-se a vida com desobediência!
São milhões as vozes com sonhos esmagados
Com vidas suspensas
Que silenciam a força mais criativa de que dispomos:
a vida dos sonhos.
No teu jardim plantam não árvores com luzes
Mas minas anti-pessoais cinzento-escuro
Muito escuro. Feitas de preconceitos.
São muitos
Dentro da zona da morte
Fora de qualquer conforto
A quem esmagam sonhos
A quem suspendem a vida
São muitas as vozes loucas que não calam
A natureza do espírito
Na loucura de tentar parar a loucura de homens loucos
os prósperos insatisfeitos, arrogantes e incapazes de humildade
Sem outros sonhos nem vidas
Cujo mérito vem da pobreza de ter apenas materiais riquezas
e condenam à morte
com bombas que chovem de todos os céus,
vidas com sonhos.
Contra o vento, levanta-te e voa!
Cartoon de Uderzo
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Viagem da vida

Pego em mim, no que sou e viajo. Dentro de mim apanhando o comboio da minha imaginação, ou por esse mundo fora, que me convida a não ser, um ser quieto. Sem fronteiras, onde cada dia nascemos um ser novo.
Sou árvore e sou vento,
nas raízes cresço, e,
a voar para lá das fronteiras,
me expando.
N a vida a essência é a viagem
A quela que fazemos connosco e, o seu
T amanho depende apenas do tamanho
A que colocarmos a nossa capacidade de nos desinquietarmos
L onge das fronteiras que nos muram a vista de quem verdadeiramente somos:
Sem fronteiras, onde cada dia nascemos, um ser novo, feito de raízes e de asas.
Sou árvore e sou vento,
nas raízes cresço, e,
a voar para lá das fronteiras,
me expando.
N a vida a essência é a viagem
A quela que fazemos connosco e, o seu
T amanho depende apenas do tamanho
A que colocarmos a nossa capacidade de nos desinquietarmos
L onge das fronteiras que nos muram a vista de quem verdadeiramente somos:
Sem fronteiras, onde cada dia nascemos, um ser novo, feito de raízes e de asas.
Se puderem, esta noite e nas restantes da vossa vida, partilhem o que têm, encham o coração dos outros de sorrisos e vivam felizes com a vossa essência.
Desejo-vos uma rabanada de amor
Desejo-vos uma rabanada de amor
sábado, 29 de novembro de 2014
Parabéns meu poema
Guilherme vou-te contar uma história. A tua. Desculpa
ser longa. São 25 anos completos. E não cabem aqui. E aqui, felizmente, não é o
twitter.
“You are the sunshine of my
life” J
Há 25 anos, de visita ao hospital:
-Tem uma ruptura superior na bolsa d´água e vai ficar
internada! (conversa de obstetra. Que sabem eles?)
-Ainda é cedo, o parto só está previsto para daqui a
12 dias! respondi convicta e sem deixar margem para dúvida aos médicos.
-Não! está para breve e não pode sair!
-Tenho de sair. Prometo voltar.
-Onde é que pensa que vai?
-Comprar uns chinelos de quarto, tomar banho e …buscar
a mala, respondi em desespero de causa.
-Pode fazer tudo aqui e o seu marido traz-lhe os
chinelos!
-Nem pensar. Tenho de ir a casa que é já ali!
Perante a minha insanidade temporária, a vontade
irredutível, e como quase parecia o Obélix de gorda que estava, com medo de
mim, deram-me um termo de responsabilidade para assinar. Ou isso, ou voavam das
crocs com uma estalada do Obélix.
Caso nascesses entre a sapataria e o hospital, os
médicos culpavam o Obélix. Saí a arrastar a pança, de perna aberta, numa triste
figura, cheia de dores, com um futuro pai, desesperado e quase a ter um AVC,
disposto a ser ele próprio a mãe a dar à luz, ou seja, escangalhando-me a
beleza a caminho da sapataria.
Poucas horas depois, chinelos comprados, banho tomado,
vários telefonemas feitos a avisar a família que os planos para receber o meu
primeiro e único filho se antecipavam, com um pai à beira do ataque de nervos
que originou um outro filme desconhecido do Almodôvar, dou entrada de novo, no
hospital de Faro.
Na manhã seguinte, 29 de Novembro de 1989, acordo
fresca a pedir para ir para casa. Estão a ver, eu é que tinha razão, afinal foi
um falso alarme…
Qual falso alarme…o trabalho de parto decorria e eu
não dava por nada. Com um livro me entretive, enquanto a natureza fazia o seu
trabalho (não me lembro da história nem sei a razão…)
Para me distrair mais, ria-me e fazia rir. Pedi para
me colocarem erva no soro, porque já não podia ouvir as mulheres lamurientas e
queixosas ao meu lado…Não me ligaram. Aguenta! E em estado zen com o braço
ligado à agulha! Sem espaço para fugir, fiquei à tua espera.
Horas depois, recebi um sms teu a dizer: mãe é agora! pedi
para ir a correr ter com o médico para me ajudar a fazer cócó. Voei na cadeira
de rodas e nem tempo tive de tirar o soutien…Foi um parto sexy em jeito de rapidinha
(terás de ser tu a explicar o significado à Alice)!
Às 19:15 nasceu um conguito…
-Parece indiano. Tem os seus olhos, diz o médico.
-O padeiro é indiano…respondo esgotada de forças
daquele momento esmagador na vida de uma mãe.
Nesse momento, o pai que tinha sido chamado de
urgência a assistir ao parto e o perdeu por escassos minutos, entrou na sala e
eu apontei para ele: cá está o padeiro!
Hoje há exactamente 25 anos, um quarto de século, que
parece muito, mas foi ontem, o conguito transformou-se num belo homem. Tu
próprio transformado em pai.
Filho de pai padeiro indiano sem ser uma coisa nem
outra, mas de mãe disfuncional fez-se o que se pode. Com amor.
Chegaste um ser pequenino, delicado, frágil,
introvertido, sereno, sempre num estado zen e muita preguiça.
Eu parecia uma leiteira pronta a mugir e foi
necessário arranjar umas bébés, para dar de mamar e assim tu conseguires
agarrar o bico da mama. Agradece por isso às tuas irmãs de leite, teres-te
transformado num mamífero a beber leite materno até aos 11 meses.
A partir dessa data deixei de controlar na tua vida, o
assunto mamas.
Fizeste um esforço tremendo para nascer, estavas de
lado na pole position, mas tornaste-te forte, saudável e resistente. Recuperaste
nas boxes. Sempre zen.
Um vulcão de criatividade em estado de aparente
serenidade.
Desde o dia em que pulámos de alegria ao saber da tua
vinda, até hoje, sinto-me honrada por me teres escolhido para tua mãe. Sinto-me
plena e abençoada por me teres sido emprestado pelos Deuses e Deusas do
Universo. Tenho um orgulho sem limites em ti.
Fico chateada quando me dizes: ”não mandas em mim, eu
faço o que eu quiser” J Um filho nasce para obedecer à mãe J e tu contrarias essa suposta lei. Mas também dizes isso a toda
a gente. Pensas pela tua cabeça. E ainda me orgulho mais por isso.
Tem sido uma aventura, ou direi antes, para ser fiel à
nossa vida juntos: uma montanha russa.
Cheia de sustos, momentos delicados, avanços, recuos, discussões,
sms cheias de emoção, asneiras, muitos abraços e beijos, desentendimentos,
gargalhadas, gritos, partidas e regressos, muita conversa, mas sobretudo o
maior amor que a vida nos dá a experimentar.
Contigo desperto a minha criança ao ver-te o olho
brilhante, o coração recheado de sonhos, a alegria com que te entregas aos teus
planos, a bondade do teu coração, a tua intuição apurada, a criatividade em
ebulição, a reciprocidade, partilha e empatia que usas como princípios de vida
e que te trouxe várias mãos cheias de gente linda para a tua tribo. Porque dás
muito, recebes muito.
Seja o que for que estejas a fazer num momento colocas
todo o teu entusiasmo e garra.
Não tens um sonho só. Quando um sonho se
desmaterializa ou não se concretiza, já tens outro na manga. Tens um
micro-cosmos de sonhos em cada momento da vida e apenas te encarregas de ver
onde a vida te leva.
Esses são talvez os segredos do sucesso da vida, que
não tem explicações para coisa alguma.
Aproveitas todos os momentos de felicidade. Como os
orgasmos, sem pensares muito neles, vão acontecendo.
Fazes-me rir muito. Dizes-me como resposta aos
problemas «a vida é mesmo assim» e eu questiono-me de onde te veio essa
sabedoria?
Talvez do teu ser criança. E lá vem a minha criança
abraçar-te. Hoje sou uma criança avó ainda mais radiante, quando te olho e vejo
como pai. Sê sempre presente com amor na vida da nossa Alice e serás digno da
riqueza que é ser pai.
Um dia ela vai querer saber de onde vieste e quem és.
Não lhe contes a história da cegonha. Conta-lhe antes esta. É a tua vida. Baseada
numa história real.
És o poema da minha vida. Se leres as quatro vogais da
palavra poema, ao contrário, tens o poema que os filhos ensinam na vida dos
pais: Ame-o.
Amo-te.
Espero continuar a aprender contigo, até perder a
memória, a linguagem desta poesia que somos nós dois juntos.
Com este sentimento fico em puro estado de inexplicável
felicidade interna.
Cantei-te “you are the sunshine of my life” quando
nasceste e cantarei até ao final da nossas vidas juntos e além. És o sol da
minha vida. Infinito vezes infinito.
Parabéns meu poema Guilherme.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Vida, África, eu
Ainda o sono,
com o sono ensonado, apurou o ouvido ao ritmo da vida:
-temos uma
relação, sabes não sabes?
-foi para isto
que me acordaste?
-queres estar
acordada comigo?
-estou a
ouvir-te!
-tu plantas mas
não sabes se dá frutos. Tens de me acompanhar, cuidar, estar atento, vigilante,
acordado. E aceitar-me apenas.
-O que me pedes
é tão difícil…
-Sou eu, assim.
É o nosso acordo. É o meu ritmo que te leva.
-Eu não acordei
nada contigo. Nem acordei ainda.
-Se resistes eu
não vou desaparecer. Vou insistir…
-E se me
desligo?
-Trago-te para a
minha altura.
-Deixas tudo
claro. Não controlo nada pois não?
-Não!
-Mas torço por
ti. Esforça-te. Não desistas de ti.
-Vês? Não és
fácil!
-Porque deveria
ser? Se calhar perdias o meu sentido…
-E se fracassar?
-És maior que o
fracasso. O fracasso só o é se não tentar. E nem assim é. Foi sim possível ser…
porque tentou.
-Não me sinto
com força para acordar.
-Nem as folhas
no Outono são abandonadas. Aguardam uma nova estação para renascer…
-Tens a minha
chave. Podes-me encontrar…
-Não sei se te
perdeste de mim…
-Não sei eu se
te perdi...
-Não sei se me
perdi de ti…
-Perdemo-nos no
momento em que nos encontrámos…
-Mas quero-te reencontrar.
Estás-me atravessada no caminho. Da vida que sou.
-Habitas-me os
sonhos e cada manhã que nasce, nasce contigo…
-Porque me estás
grata…
-Acendes uma luz
em mim digo-te eu.
-Aceitas-me?
-Quero-te! O sol
nasceu.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Coragem
No meu jardim, entre o pátio e a horta, onde
as flores e as árvores florescem e frutificam, vou aprendendo umas coisas,
desaprendendo outras, continuando ingénua e inocente, não entrando nas veredas
do caminho que me levem ao cinismo.
Mesmo com os acontecimentos na minha
Ítaca. Que são apenas um espelho do mundo deste século. Um mundo parasita em
relação à reflexão, à ausência de bondade, e à ausência de sobriedade.
Posso estar temporariamente desencantada
mas não vivo sem encantos. Bastam-me 20 segundos diariamente. De “coragem
insana”.
Para retomar o meu caminho encantado.
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